REVIEW
Escrito porDethyan
A melhor sacada de Epistory - Typing Chronicles é, sem dúvida, a sua própria identidade: todo o combate acontece através da digitação. E o mais impressionante é que, em nenhum momento, ele parece aquele velho e chato teste de datilografia (Aqui entrego minha idade) fantasiado de jogo de fantasia.
Aqui, as palavras flutuam sobre as criaturas que se aproximam, e terminar de digitar uma delas transforma uma explosão de cliques em um ataque devastador. É uma daquelas experiências onde, quanto mais rápido eu digito, mais imediato e satisfatório o combate se torna. Ter a resposta rápida de um teclado mecânico como o Logitech PRO X TKL Rapid que uso para jogar com certeza ajuda a dar o tom e a imersão, porque quando uma horda inimiga te cerca, escolher o alvo certo e limpá-lo do mapa antes que os outros cheguem traz um ritmo para a ação que muito jogo de hack-and-slash tradicional tenta ter e falha miseravelmente esmagando botões.
O que deixa esse ritmo realmente tático são as magias elementais. Fogo, vento, gelo e raio passam longe de ser apenas efeitos visuais bonitinhos, eles são ferramentas reais para espalhar dano ou empurrar um inimigo mais perigoso para longe. A verdadeira diversão mora na decisão de qual palavra atacar primeiro, garantindo que a magia certa acerte onde mais importa. Essa combinação de agilidade nas teclas com priorização tática rápida é uma sacada genial, dando a Epistory uma identidade de combate que continua muito fresca. Além disso, a dificuldade adaptativa é um show à parte: o jogo lê a sua velocidade e precisão no teclado em tempo real, ajustando o tamanho e a complexidade das palavras. (Para um jogo de 2016 acho isso incrível). O desafio responde a você e ao seu ritmo, em vez de exigir um padrão engessado. Como efeito colateral, acaba sendo uma das formas mais prazerosas e lúdicas que já vi para treinar a digitação às cegas e ganhar velocidade.
O mundo do jogo não fica atrás e faz jus à mecânica. É uma paisagem de origami belíssima que vai se desdobrando sob as patas da raposa conforme a aventura avança, com o terreno de papel se abrindo como um livro pop-up. Essa direção de arte focada no "paper-craft" envelheceu incrivelmente bem, muito melhor do que várias tentativas literais de realismo contemporâneo de 2016. Ver o chão se formar na sua frente continua sendo um deleite visual, entregando um charme de conto de fadas que te faz esquecer que você está, tecnicamente, em uma arena de treino de digitação.
Claro, nem tudo é perfeito e há algumas arestas soltas. O sistema de magia poderia fazer um trabalho muito melhor em se explicar. O Raio (Spark) é o exemplo mais claro disso: a área de efeito e o alcance da corrente de dano não são comunicados com precisão. Fica difícil saber quantos inimigos o feitiço vai atingir ou se eles estão perto o suficiente. Em um jogo onde os melhores momentos vêm de escolhas deliberadas, depender de "chutes" e adivinhações frustra um pouco. Explicações mais claras e indicadores visuais mais legíveis tornariam a tática mais fácil de aprender sem tirar a profundidade.
O comportamento dos inimigos também é bem simples, com a maioria apenas andando em linha reta na sua direção. Os encontros podem se tornar um pouco previsíveis, mas, sinceramente, não considero isso um defeito fatal. A grande variação de Epistory vem do próprio desafio de digitar: as palavras vão ficando mais difíceis enquanto as escolhas elementais te forçam a pensar na ordem dos alvos. O loop central é tão bem resolvido que o jogo não precisa que cada inimigo seja um quebra-cabeça complexo e imprevisível.
A movimentação, no entanto, é o incômodo mais persistente. Navegar por um mapa isométrico usando o layout de teclas direcionais cruzadas parece bem desajeitado. Às vezes, o simples esforço de se reposicionar no mapa entra em conflito com lutas onde a resposta rápida é vital. É um esquema de controle que soa datado, mas, felizmente, não chega a ter peso suficiente para ofuscar os pontos fortes da experiência.
No fim das contas, Epistory brilha intensamente quando todos os seus sistemas se alinham: o mundo de papel se abrindo, uma onda de inimigos chegando e os poucos segundos que você tem para metralhar o teclado com precisão enquanto decide qual feitiço vai virar o jogo. A digitação aqui não é um só enfeite colado em um jogo de ação comum; ela é o motivo pelo qual o combate tem tanta personalidade.
Recomendo demais. A movimentação imperfeita e a falta de clareza em algumas magias merecem as críticas, mas o combate inventivo, a dificuldade responsiva e o estilo visual atemporal fazem de Epistory uma aventura única, marcante e um treino muito mais envolvente do que qualquer programa convencional de digitação.
— Dethyan / Noobsnoplay
