REVIEW
Escrito porDethyanDo arquivo
É impossível não notar a semelhança com Saint Seiya, e para quem cresceu nos anos 90, há um prazer especial em poder mergulhar nesse tipo de fantasia de heróis com armaduras. O jogo “9 Years of Shadows” entende esse apelo: armaduras elementais, poderes espetaculares e guerreiros enfrentando adversários formidáveis. Mas não é só a nostalgia que faz a diferença. O sistema de armaduras traz ideias próprias e gratificantes à aventura, especialmente quando a exploração exige que você pense em qual forma pode levá-lo a um novo lugar.
Voltar sobre os passos já dados é mais do que simplesmente revisitar um corredor com uma chave recém-adquirida. Cada armadura traz uma maneira diferente de se mover pelo mundo, então mudar de forma passa a fazer parte da interpretação do ambiente. A armadura de fogo foi minha surpresa favorita. Eu esperava que o fogo significasse destruição, mas aqui ele permite que Europa deslize por bolsas de ar quente. Esse é um uso inteligente e memorável de um elemento, e um bom exemplo de como o jogo faz com que suas habilidades pareçam úteis além do combate.
O combate se baseia nessa mesma lógica elementar. Os inimigos possuem auras nas cores de suas respectivas armaduras, e escolher a que combina permite que você cause mais dano. Em alguns encontros, isso é essencial: a armadura errada simplesmente não causa dano ao inimigo. Isso dá à troca de armaduras um propósito além de exibir os diferentes designs e torna a atenção à cor do inimigo parte da luta. Os chefes também podem ser genuinamente desafiadores. Um deles, ligado às peças de xadrez, me pareceu especialmente criativo; é o tipo de confronto cuja ideia central fica na sua cabeça mesmo depois que a batalha termina.
A apresentação é uma parte importante do prazer. A arte pixelada é linda, com um visual que combina com as armaduras coloridas e o mundo de fantasia do jogo, e a trilha sonora é igualmente forte. A música está entrelaçada à história, e as referências orquestrais são um detalhe encantador de se descobrir. A história em si é mais cativante do que elaborada, o que combina com o clima acolhedor e sincero. Acabei gostando da essência do jogo, e os toques musicais conferem à jornada uma identidade que vai além de suas influências heróicas já conhecidas.
Trata-se de um Metroidvania, então seu mundo exige que você retorne a locais com novas habilidades e use esses poderes para abrir caminhos. Aqui, essa estrutura parece particularmente natural, pois as armaduras são tanto ferramentas de combate quanto chaves para a exploração. Esses prazeres se reforçam mutuamente: descobrir o que uma nova armadura faz pode mudar a forma como vejo um caminho, enquanto a aura de um inimigo me dá um motivo claro para trocar de equipamento durante uma luta. Há uma sensação agradável de que esses elementos fazem parte da mesma aventura, em vez de estarem em sistemas separados.
Recomendo “9 Years of Shadows”. Seu apreço pelos animes clássicos de heróis com armaduras é imediato, mas as habilidades variadas das armaduras, o retorno criativo aos locais já explorados, os chefes exigentes, a história encantadora, a bela arte pixelada e a excelente trilha sonora dão a esse apreço algo substancial para sustentar. Se você cresceu assistindo a Saint Seiya, a semelhança pode tornar o convite irresistível; mesmo assim, são as ideias elementais próprias do jogo que fazem a jornada valer a pena.
— Dethyan / Noobsnoplay
